sábado, 24 de março de 2012

   Vou tomar um chá de camomila, ligar a TV e ver o capitalismo de perto. Quero ver o cinismo e as falsas ideologias, o dinheiro e a mesquinharia. Vou achar quem se importe com o meu coração, quem deseje abrigo, sem troca de locação. Vou me encontrar perdida numa esquina qualquer, a poluição vai me levar até o seu coração. Vou pedir-te auxilio, exílio. Tenho que me esconder das falsas liquidações, das que simulam amor e costuram corações. Embarcarei num futuro, aquele onde nada importará, apenas sorrisos verdadeiros, amores sinceros, olhares voluptuosos. Vou andar numa era onde nem as roupas interessam, luxúria tão pouco separará uma favela e o sorriso será armadura, fechadura, pra qualquer dor. Vou sair nua, cair bêbada, dançar na chuva. Numa era assim, quem irá ligar pro senso comum? E a sinestesia irá se misturar com o ópio, dançaremos psy até a vida ficar chata. E se o roteiro mudar, desligue a tv, compre um livro do Pablo Neruda, escute um cd da Maria Creusa, invente o seu monólogo. Ao contrário do voto, infelicidade não é obrigatório.
           Cadê você meu bem?
O que faço com o seu lado da cama, o seu travesseiro e o seu pijama?
E se eu tiver pesadelos, quem eu vou acordar na hora do desespero?
Caso falte cor, quem irá me chamar de amor?
Quando a vida for engraçada, pra quem eu vou contar piada?
E na hora da desilusão, eu vou chamar o teu nome em vão.

sexta-feira, 23 de março de 2012

       
                Viver na contramão, isso não era bem o que eu queria. Eu queria partir alto, dá um salto e sair da inércia. Mas eu montei um casulo no meu coração, tomei as rédeas da situação, aprendi a viver na solidão.
Um dia você se acostuma a viver só, e, parafraseia que a vida é melhor assim. Todavia, não se engane.
                Não se ludibrie a toa, a mesquinharia uma dia, consumirá esse coração alado. Ah, remendado coração, aprenderá a dançar sem par. Mendigado e amargado, serão as suas noites de TPM. E os dias frios? Esses são os piores, tenha certeza. E a paz que de tão fugaz, me abandona na primavera, me encoleriza e retorna vazia, sem odores nem rumores. E eu até pensei que solidão fosse um tipo de profissão, também. Quem explica a magia da iminência de amar? E a troca de olhar? E o amavio que é embriagar-se noutro corpo e dele beber, dele possuir todo, consumir e sugar todo o seu brio. Eu vou pintar as paredes de rosa, vou fazer um café bem quente e cheiroso que é pra exalar amor, abrirei as portas e janelas, quem sabe assim, você vem depressa, sem desviar o caminho, sem tomar um gole de vinho. Vem que eu te quero assim, embrulhado com fitas de cetim. Vem depressa, o meu samba cansou de tanta espera, eu quero um par, quero dançar dois pra lá dois pra cá.



Quem pode querer ser feliz se não for por um grande amor ?

http://www.youtube.com/watch?v=6LCri6ve6A0&feature=related

quarta-feira, 21 de março de 2012

       - Meu caro, confesso que não entendo essa sua ânsia desmedida em sofrer e a sua supremacia quando o assunto é amar. Pra quê esse comedimento de sempre esperar pelo tempo? Deixe de mesquinhez, pedir nunca é demais. A dor é efêmera e a solidão é um jeito de se amar, também. Ocupe todos os espaços, viva a sua transitoriedade. Escute um rock'n'roll, abuse do blues, viver com música é um jeito mais fácil de barganhar na vida. Seja hipócrita com os caretas, a São Jorge peça proteção e saravá a todos os santos. Nada de senso comum, seja altivo quando o assunto for a sua felicidade. Simule um amor, talvez você possa ser a pessoa certa pra você. Se encontre nas ruas, se perca nas esquinas e sambe nos becos, deixe de viver na iminência, acabe com os pressupostos. Nada de comiseração, nem altruísmo, viva um pouco o seu egoísmo. Aproveite o seu paladar, deguste vários corpos, encontre o seu. Caia na boemia dessas noites vazias, peça uma tequila, embriagar-se tem o seu amavio.
                                                           
                            Esqueça o verbo sofrer, meu bem, ele não lhe convém.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Vem sambar

Vem pra minha dança, não se acanha, aqui sempre tem espaço pra mais um. E se não der, a gente abre essa roda, pega uma viola e toca um samba. Eu quero ver você se perder nessa melodia, eu quero ver você se achar nesse balanço. Aqui é permitido sonhar, deixa a vergonha pra trás e vem. Segura a minha mão, você vai ver o que é emoção, deixa o ritmo te encontrar sem pressa, afinal, teremos uma vida inteira para encontrar a cadência. Não te desespera, essa harmonia um dia chega, sambar também é um jeito de levar a vida.

domingo, 1 de janeiro de 2012

      "Uma bela frase, parafraseada por uma bela lutadora da vida, de uma bela e irreversível idade me chamou bastante atenção. Uma dama da terceira idade, lindíssima por sinal, com os seus 70 e poucos anos, idosa é engano, ela é jovem e muito jovem, sabe curtir a vida como ninguém. Acabou de dizer ao repórter á seguinte frase: Recordar é chato, rs. E não é que eu concordo em todos os número com ela. Recordar é extremamente chato e nostálgico. Sempre que recordamos sentimos uma leve-imensa tristeza, os olhos enchem-se de lágrimas e ao decorrer de cada fato lembrado, choramos. É sempre assim. Noutras vezes, recordamos com alegria e sorrisos, porém somos sucumbidos pela saudade desenfreada e devastadora, e, logo após choramos. Todavia, recordar é preciso."

Meu bem

      Vem sem interesse, vem querendo ser feliz. Chega perto, olha pra mim e, me diz que já não há mais motivos para não ser feliz. Traz consigo a beleza de um sorriso, estonteando toda a amargura escondida e que insiste em refletir no espelho. Vem, sem demora. Me traz teu colo, teu amor e o teu sossego. Bota um sorriso no rosto e vem pra mim. Vem pra minha solidão, me dá a tua mão. Dorme no meu peito, que eu te acalento, quem sabe você dorme bem e não tem pesadelos. Vem meu bem, vem que já é hora de ser feliz. O bloco vai passar, vem...a gente vai acompanhar!