"Um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá, um dia de merda."
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Cabe (...)
Não se assuste meu rapaz se eu lhe disser que a vida é engraçada. Comemore as vitórias, celebre as derrotas, tudo é questão de comemoração. O mundo está nas nossas mãos, e de repente, tudo se esvai, tudo fica tão ínfimo quanto a nossa dor, e os planos? Ah, os planos são interrompidos e os sonhos desfeitos, e o que mais precisamos nestas horas é um ombro ou um abraço quentinho. Mas caso prefira, cabe dançar também, cabe se entregar, cabe colorir, cabe vestir e despir. Cabe você no meu mundo, meu bem, cabe o seu olhar sincero, cabe o seu corpo no meu. A vida é um barato, convenhamos.
domingo, 24 de junho de 2012
E você me aparece assim, do acaso, metade homem metade querubim, tão natural quanto a sua barba mal feita, tão perfeito quanto o seu cabelo desfeito e a vida que de tão mesquinha me colocou nas suas mãos. Eu que aprendi a viver tão sozinha, hoje tenho companhia pro jantar.
E pra não te deixar escapar logo tratei de arrumar a casa e o coração, botei mais uma cadeira na mesa, afinei o violão, te fiz uma canção e afastei a solidão. Sem titubear, aceitei o anel, o compromisso e toda a sua bagagem, aceito o meu quinhão e o seu coração.
E a gente vai espalhando o amor nas esquinas, vai se cuidando, curando os porres, a gente vai tratando de ser feliz.
Os solitários também amam.
domingo, 20 de maio de 2012
Me carregue pela mão, me leve no colo se preciso for, mas me tire desse lixo, dessa hipocrisia que me reprofunda. Eu quero sair nas ruas e gritar na cara da polícia que eles são um bando de filhos da puta, eu quero pichar o muro de Brasília pedindo mais ordem, mais isonomia, eu quero acabar com essa imprensa deturpadora, eu quero que as pessoas se amem sem preconceito, eu quero queimar dinheiro em praça pública, eu quero fazer subversão, eu quero o Brasil progredindo e esses políticos corruptos capitalistas imperialistas presos no Bangu 1, eu quero acabar com a fome, eu quero uma vida mais digna pra mim e pros meus companheiros, eu quero querer mais justiça.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
(NÓS)
Vou me entregar a poesia, essa será a melhor das soluções. Fidedigna companheira, senhora da solidão. No copo de vinho afogo os desenganos, no luar eu danço pelo mundo. Um dia desses sei que ainda me encontro, talvez nos braços teus ou nos devaneios tempestivos que me tecem o teu corpo. A gaita eu irei tocar para homenagear o nosso amor, meu bem, este que (re)encontrou o caminho e agora pousou no abismo que eu mesma cavei. E caso os dias tornem-se amargos demais, eu te compro chocolates, ponho a mesa, forro a cama, compro flores e enfeito a casa. Mas eu preciso de você, nós, a saudade não é doce meu caro. Eu pensei que pudesse aguentar, subestimei a minha capacidade de amar, mas os meus cigarros já se foram todos, e as garrafas estão secas, o nó do meu cabelo está desfeito e o batom vermelho borrado. Meio cambaleante, mas me encontro de pé, talvez de um pé só, o direito que é pra dar sorte. Preparo um café bem quente, daqueles que curam ressacas e feridas abertas na iminência de sangrar, te proponho um acordo, dessa vez será um juramento, selamento ou o que mais você preferir chamar. Mas me prometa que farei parte dos seus planos, e que seremos um só nós. Um nó, entrelaço pelos caminhos e entregue aos carinhos, estes que sempre tiveram como remetente você, benzinho.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Me desculpe, mas não sei o que fazer. Estou atônita. O que dizer pra essa gente hipócrita e desleal? Simulam amor, mas semeiam o mal. Discutem sobre o homossexual, prolixo quando o assunto é amor e assumem uma religião. Mas sonegam solidariedade. Falar de felicidade quando a única que interessa é o seu individualismo e o seu preconceito baseado no senso comum. Ah, me poupem de frases feitas e de famílias perfeitas. O preconceito é o mal da sociedade, destroem ideais. Família perfeita é ter como pais um casal hétero? Amor é sofrimento? Ser cristão é não aceitar o diferente? Por Deus, mais amor por favor. Revolução não é anarquia, é luta, mobilização por direitos que outrora foram esquecidos, mas que existem e queremos. Pessoas assim não me cativam, e me fazem (des)acreditar na humanidade. Mas eu levo fé na vida, eu remo contra a corrente e ninguém distorce a minha mente.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Uma vida de botequim
De longe descansa, quem as notas dessa canção não alcança. Onde a insônia é a única companheira nas madrugadas arredias. E a brisa traz os devaneios, que por ora, esquecidos. O café tem que ser amargo, que é pra curar as feridas da alma. E pela casa, eu jogo sal grosso, abro as portas e espero pela sorte. A fé já não me alça, e na loucura, eu viro santa. Cadê o meu samba? Delírios de quem um dia já pensou em compor na vida de um outro alguém. E os laços já desfeitos se vão com o tempo, e os amigos do peito caem na malandragem e, eu que outrora fui chamada de saudade. A melancolia envaidece a minha poesia e rima com a contramão da vida. Desculpas de um bem me quer, esse talvez nem me queira sua mulher, as marcas de batom vermelho sangue e o cheiro exalador de um perfume de quinta e em seus lábios a mordida de uma vadia e nas suas costas as unhas que me dizem que na rua és bem mais feliz. Eu que pensei que amar fosse mais fácil, hoje eu só quero bailar na minha dor e em um outro verso destilar o meu ímpeto em sofrer e a complacência de me doar para mim mesma, um pouco de afeto, quiçá uma dose de paz. E o cigarro, que desapareceu nas cinzas da vida, assim como as lembranças, assim também como a minha memória viva, que faço questão de deixa-lá submergida em um botequim. E os lençóis sujos de sangue, faço de cortina, obra viva de quem já sofreu um bocado nessa vida.
sábado, 24 de março de 2012
Vou tomar um chá de camomila, ligar a TV e ver o capitalismo de perto. Quero ver o cinismo e as falsas ideologias, o dinheiro e a mesquinharia. Vou achar quem se importe com o meu coração, quem deseje abrigo, sem troca de locação. Vou me encontrar perdida numa esquina qualquer, a poluição vai me levar até o seu coração. Vou pedir-te auxilio, exílio. Tenho que me esconder das falsas liquidações, das que simulam amor e costuram corações. Embarcarei num futuro, aquele onde nada importará, apenas sorrisos verdadeiros, amores sinceros, olhares voluptuosos. Vou andar numa era onde nem as roupas interessam, luxúria tão pouco separará uma favela e o sorriso será armadura, fechadura, pra qualquer dor. Vou sair nua, cair bêbada, dançar na chuva. Numa era assim, quem irá ligar pro senso comum? E a sinestesia irá se misturar com o ópio, dançaremos psy até a vida ficar chata. E se o roteiro mudar, desligue a tv, compre um livro do Pablo Neruda, escute um cd da Maria Creusa, invente o seu monólogo. Ao contrário do voto, infelicidade não é obrigatório.
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